domingo, 6 de março de 2011

Morreria por dentro… cairia descendo os degraus do meu interior que tu me obrigavas a descer…arrancaria o último sorriso da minha face e voltaria a face mais escura que dia e noite iria prevalecer. Beijaria a terra todas as noites rezando e chorando o teu amor. Da terra chamaria as mortas mãos que me tocaram e gelaram o sangue do meu alvo rosto. Calaria dor, calaria grito, emudeceria cada som, cada soluço. Voaria alto batendo contra os muros da minha própria calma. Cala-te! Finge! Chora apenas de noite. Arranca a roupa que escorre gentilmente o suor da dolorosa paz. Não contes as mágoas, conta as luzes que recolheste ontem. Petrifica o céu que ontem existia e compara-o ao vazio que hoje te abraça. O vazio é a morte calada. Levanta agora o véu da sombra. Foste salva a tempo. Não mais chorarás de desespero.

quarta-feira, 17 de março de 2010


Onde está escondida a força que é inata no homem? Ela voa, não consigo apanhá-la. Não poder soa mal. Como fugir? Quando as casas e os prédios que construí no meu pensamento começam a ruir, deixo escapar até a ultima esperança. A última esperança abandona-me, pois sente-se sozinha. Fico negra. A ave negra que me assombra com o seu rasgar de asa, dança, mole. Batem três vezes à minha porta. A espera é longa quando o ar é cortado. Onde fugir? Porque não colher então as nuvens que esperam ser abatidas pelo vento feroz? Se tudo está aqui para morrer, porque soltamos gritos de alegria? Porque nos parece melhor andar pelo caminho largo? Os desvios serão então maiores. O transtorno leva-me a sentir fulgor.


Nas ruas da primavera, as árvores sopram as suas flores para a minha cara. Elas envolvem a minha respiração. O pó da maravilha abre o meu olhar. Porque não descer escada a escada? Onde corres agora? Para algum sítio perto do mar? As ondas tristes fazem escadas de espuma. A ave negra aparece com a sua nuvem de chuva. Viver dá sede. A chuva é precisa. Precisas de levar tudo o que não é teu contigo? Não... Se nada é teu, onde pensas esconder tudo? O tudo se transformará em pó translúcido. Entrará nos teus olhos, cegando-te. O teu sopro se transformará em veneno.


Abençoado aquele que olha o sol do inverno com olhos de amor e não apenas o de verão. Quando a noite chega, recolhe os pedaços de alma que espalhou. Pelas sombras, pelos telhados, pelas ruas sem fim, pelos campos húmidos e frios, pelos vales secos e acobreados. A pedra derrete com o olhar do sol. Todos fechamos os olhos à sua luz, procurando caminhos que dele nos afastem.


Nas ruas da esperança desesperada, quando a única coisa que esperas é a minha chegada, virei ao teu encontro. Abraçarei o teu jeito suave, beijarei a vida que há em ti. Ventos azulados, saídos da minha boca chamarão o teu nome que tão bem acompanha o meu. Sentirás o meu poder gelado, tocarás na minha cara, sem poder senti-la. Com saudade, voltaremos atrás no tempo. Vem amar-me. Sempre fui tua. Os escombros nunca foram a minha casa. Embora eu me tivesse escondido neles.


Queres saber o que vou dizer aos ventos que perguntarem por ti? Eles conhecem-te, pois muitas vezes te trouxeram perto de mim, sem que tu soubesses. Direi que partiste, de manhã cedo, quando os céus ensonados não te viram. Por isso não sei onde estás. Será esse o meu consolo, a minha mentira. Todos temos mentiras que nos parecem pequenas, mas elas cobrem a nossa luz.


Retorno para o meu escombro sossegada, inútil. Vagueio. Que beleza vês em mim? Aquela que se sente? Ou será aquela que escondo para que não a vejas? Ela culmina apenas junto a ti, mas tu não o sabes. Um dia encontrarás escrito na tábua do meu coração, que a dor me fez negar a felicidade. O que estará escrito na tua tábua? Guia a minha mão para o teu coração. Só assim te poderei ver. Cada batida, cada pestanejar vagaroso, dir-me-á o que está escrito no teu coração. Conhecerei a causa do teu sorriso, a razão dos teus sonhos, o cansaço de viver.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Inolvidável


O céu de cinzas


A ave negra


A lágrima que cai.


Rasgadas asas


A alma sangra


E triste sempre vai.



quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Quando a noite vai alta


Quando a noite vai alta

E o meu destino fugaz,

Apresso o meu passo que a ti me traz.


Vim ver com os meus olhos

A mágoa que és.

Mostrar-te como sofro.

Mostrar-te o que não vês.


Hoje ou nunca,

Quero mostrar-te quem sou.

Pois perdida ando

E amanhã me vou...

sábado, 6 de dezembro de 2008

Palavras

De palavras não preciso,
Pois elas não conseguem
Descrever o que eu sinto.

As palavras magoam,
Como a dor que sinto cá dentro.
As palavras são sofrimento.
As palavras não perdoam.

As palavras cortam asas.
Fazem-me chorar
As tuas palavras.

Pedra no coração


Em momentos de tristeza me encontro,

Afugentados por lágrimas sádicas de dor.

Num sincero grito surdo.

Pássaro afastando-se da noite com pavor.



A passo largo se aproxima o fim,

Embora parecendo-me distante.

Por não ter conseguido hoje desisti.

Tive uma vida para tentar,

E para não conseguir, um instante.


As ruas sem fim.

No doce, avermelhado amanhecer.

Perfeito, sem falhas dentro de mim.

Desejando esquecer.

O tempo


O tempo não passa.
O tempo só ilude.
O tempo engana a todos.
A noite e o dia,
São puras mentiras.
O tempo engana de tantos modos...

Nada morre,
Tudo prevalece.
O tempo nunca passa,
A paz entristece.
O tempo não se cansa.

O tempo não perdoa,
Pois por mais que doa,
O tempo não passa.

Andreea

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